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1)      Ler outros autores e reparar no que eles fazem com suas histórias.  Às vezes, é legal ler com um olhar crítico, reparando no estilo, no vocabulário, em situações que você se identifica, frases que você pensa “eu poderia ter escrito isso. Esse cara roubou essa frase da minha mente.” ou “eu jamais teria coragem de escrever isso, mas já que tem louco que escreve e não é punido, vou tentar ser menos puritano/mais polêmico na próxima vez." Mas também é legal, outras vezes, ler só por ler, no modo relax mesmo. Quando você não quer prestar atenção, você acaba descobrindo certas coisas acidentalmente. Essa dica não é válida só para autores que escrevem o mesmo estilo que você. É interessante diversificar.


2)      Não só de livros vive um autor em suas horas vagas. Deve ser meio clichê, mas uma boa opção para se pensar em enredos inusitados e personagens é, despretensiosamente, ouvir músicas interessantes (sem especificar estilos, mas é óbvio que sejam canções com belas letras & melodias), ver filmes, séries, peças, danças, entre outros. Tudo dá uma “pira” ou pode te apresentar uma palavra legal que se encaixe em algo que você esteja escrevendo.


3)    Tem gente que aconselha sempre andar com um caderninho e caneta em mãos ou, ao menos, com o gravador do celular, pois as ideias vêm quando menos se espera. Eu aconselho a não andar com nada disso. (Claro, é só uma dica, como diz o título. Não tenho autoridade alguma para dizer o que é melhor ou pior na rotina de um escritor.) Eu costumo andar sem nada disso e para mim faz o efeito inverso. Se estou preparada, eu me sinto uma espécie de fraude: “estou aqui nesse teatro/colégio/whatever esperando seja o que for começar. Enquanto todos socializam, eu estou aqui estrategicamente bancando a intelectual e antissocial que vai escrever uma ideia muito original, por isso não me perturbem!” e não vem nada que preste... (Não é uma crítica a quem faz isso, é só uma observação de quando eu mesma sou o alvo...)

Eu tenho mais ideias quando eu não tenho onde anotar e preciso me concentrar pra decorar as palavras-chave. Tentar segurar as ideias na cabeça é um bom exercício. (Geralmente não ando com celular, por isso nunca o tenho a postos, mas mesmo para essa geração que praticamente nasce com o celular na mão, não é sempre que se pode pegá-lo. Você não pode começar a gravar suas ideias no meio de uma palestra ou aula, por exemplo.) Todavia, pelo amor de Deus, anotem as ideias que tiverem na cama na hora de dormir.  É o momento que elas mais aparecem e todos nós sabemos que não da para confiar na memória do dia seguinte.



4)      Quando achar que teve uma ideia legal, antes de começar a escrever sobre ela, dê um “Google” só para ter certeza de que a ideia é original mesmo. Se não encontrar nada nas buscas, vá em frente sem problemas. Não só com ideias, mas também com coisas menores, como um trocadilho, por exemplo, que você acredita estar criando, mas outros já usaram antes. É bom olhar antes de escrever. Nós todos somos muito jovens se comparado ao tempo que o mundo já existe e à quantidade de autores que já passaram por aí. Vai que um autor que você desconhece já escreveu sua ideia  – que você julga ser tão original – há uns duzentos anos.  Claro, não é preciso ser radical: “Ah já fizeram histórias sobre assassinato, então não posso mais fazer.”, “já escreveram sobre alienígenas, sobre zumbis, sobre amizade entre homem e animal, sobre um humano com poderes especiais, sobre catástrofe que avassala o planeta...”, porque se for assim, ninguém escreve mais nada. Além do mais, cada uma dessas ideias já foi usada milhares de vezes, e não apenas pelo  seu “primeiro” autor.


5)      Ok, você leu, ouviu muita música, sentiu-se extremamente conectada com as palavras de “insira o nome do seu cantor favorito”, terminou com seu namorado(a) e isso te encheu de poesia (não é uma regra, tampouco um fato 100% comprovado,  mas muitos (e eu mesma não faço parte desse “muitos” por falta de conhecimento de causa) concordam que pessoas tristes escrevem melhor), teve muitas noites de insônia regadas de novas e luminosas ideias e agora precisa colocar tudo no papel. Não tem segredo. É só sentar e escrever do jeito que está na sua mente. Vai ficar bom? Provavelmente não.  A ideia na cabeça é o Brad Pitt/Angelina Jolie e no papel é você ao acordar após uma noite de gandaia. É por isso que um grande romance não se escreve de uma vez só.  É preciso constante edição. Mas não é hora de pensar nisso. É só escrever.   

Você tem uma história em mente e faz questão de que ela seja contada. Prepare-se, então, para conta-la ao mundo, pois ninguém vai (ou quer) fazer isso por você. Algumas pessoas quando começam uma história, não fazem ideia do que vai acontecer a cada linha, apenas vai escrevendo. Eu faço parte desse time, e para mim funciona. Mas existe também uma grande quantidade de autores que fazem o esboço da obra inteira, do começo ao fim, e antes de começar a escrever, já sabem exatamente o que acontece em cada capítulo. Mas isso vai de cada um. Se as duas fórmulas funcionam, não é questão de indicar uma ou outra. Vai do jeito que achar melhor e escreva. Quando achar que a frase ficou feia, mal construída, passe por cima e continue. Em algum momento você vai ter tempo de voltar nela e em todas as outras para ajeitá-las. Mas fazer isso de primeira, querer a perfeição a cada frase antes de passar para a próxima vai te empacar e você vai desanimando ao ver que o trabalho não rende.


6)      Mesmo nessa fase de despejar as palavras sem tanto critério, há pessoas com dificuldade em fazer a história sair. E ela tem que sair de um jeito ou de outro para você dar o próximo passo. Como dizem, é mais fácil editar uma história ruim do que uma página em branco. Mas quando mesmo isso parece distante e você enfrenta o famoso bloqueio criativo, há uma técnica que de repente pode funcionar. Ela consiste em estipular um tempo, cinco minutos, por exemplo, e nesse tempo você vai escrever sem parar. Mas é sem parar mesmo. Se não souber o que fazer, no lugar de parar para pensar, você deve repetir a última palavra que escreveu, até mais de uma vez se for preciso. Vou fazer um exemplo  (bem bruto - mas essa é a ideia) de como ficaria: “Era uma vez uma uma uma menina muito pobre, mas muito artística que se chamava chamava Juliana. Ela queria queria queria ganhar 100 reais para fazer uma uma oficina de marionetes, então ela colecionava moedas que encontrava na rua.   Pensou: “se eu juntar alguns centavos todos os dias em um ano eu vou ter X reais (não há tempo para fazer o cálculo agora) então ela tentava cumprir sua meta, até que...” Bem, eu não pretendo terminar essa história. Era só para exemplificar o exercício mesmo...hhahaha. Enfim, assim você vai se forçando a pensar. 

Há um romance de Tobias Wolff (Old School – Meus dias de escritor) sobre uma escola de muito prestigio só para meninos nos anos 60 que realizava concursos literários três vezes por ano e o aluno vencedor ganhava um encontro com um escritor famoso que visitava a escola. Quando Hemingway é o próximo convidado, os alunos ficam malucos para vencer, pois todos querem conhecê-lo, é claro. O personagem principal da história possuía uma técnica um tanto estranha para se inspirar, mas lá vai. Ele pegava uma obra famosa de que ele gostasse (se não me engano, era até um Hemingway) e digitava ela inteira (na máquina de escrever, é claro) para sentir na pele como era escrever uma obra de arte. 




Syd Field dá dicas com roteiros, mas que podem ser adaptadas para romances. Uma delas é reescrever o final de um filme, trocando papéis. Vilão vira mocinho e vice-versa. Você pode até achar que está perdendo tempo, mas ao menos estará exercitando um pouco a mente.

 
7)      Para conseguir escrever com mais facilidade é interessante também criar uma rotina. Escrever só quando se tem vontade não funciona. Escritores profissionais têm uma rotina. Você deve ter também.(Eu admito que não tenho e que rotina não funciona para mim, mas eu não sou um bom exemplo e meus resultados não são sempre satisfatórios) Assim, você pode arrumar nem que seja meia hora, uma hora por dia só para escrever. Stephen King sugere de quatro a seis horas diárias (não só para escrever, mas para ler outras coisas também). Mas nem todos têm o me$mo tempo e a me$ma disponibilidade que ele para dedicar tantas horas por dia nessa atividade, então cada um ajeita sua agenda da forma que funcione melhor. Mas é bom que seja um hábito diário.


8)      Para se motivar nesse processo longo e solitário da escrita, alguns escritores gostam de estipular metas que quando cumpridas resultam em compensações: "se eu escrever cinco páginas hoje, vou ao cinema/festa/raioquemeparta depois.” Mesmo assim, eu sei que há pessoas que não vão se empenhar o suficiente. Vão se coçar durante o tempo que estava destinado a escrever, não vai cumprir meta nenhuma e mesmo assim vai querer ir para o cinema-festa-raioqueoparta com a promessa de que amanhã trabalhará direitinho. E em dobro. Mas não funciona. Cumpra as metas. Não preciso nem dizer que elas precisam ser plausíveis. Não prometa: “esta madruga não vou dormir, vou amanhecer escrevendo e revisando tudo. Até às seis da manhã meu futuro best-seller estará pronto. Só faltam treze capítulos.” Metas têm que ser possíveis sempre.


9)      Mas se você é do tipo que não faz nada, que sabe que vai se arrepender depois, mas ainda assim não faz nada, tente compensar-se, então, durante o processo. Se você gosta de chocolate, coma enquanto escreve. (mas não muito, né?) O mesmo vale para os viciados em coca cola, café, vinho, cerveja, cigarro, fandangos... Esbalde-se com moderação! Você vai querer estar bonitão para o seu lançamento, não é?


10)   Faça o teste da música. Algumas pessoas só escrevem ouvindo música e acham ótimo. E deve ser mesmo. Mas se você não consegue ouvir seus pensamentos se tiver com o som ligado, você não se enquadra nessa categoria. Contudo, antes de descartá-la (ou adotá-la) faça o teste.


11)   Pronto, você comeu muito chocolate, ouviu Mozart (Já ouviu falar do Efeito Mozart?) e escreveu sem parar por bastante tempo. Você tem o seu primeiro rascunho pronto. E agora? Agora está na hora da melhorá-lo. Cortar coisas, acrescentar outras, explicar melhor o que só está óbvio na sua cabeça, substituir palavras repetidas em demasia por outras mais apropriadas e rir de si mesmo enquanto apaga parágrafos inteiros de pura idiotice que você não sabe quando, como ou porquê escreveu. 

Mas você não vai fazer isso assim que colocar o ponto final na primeira versão de sua história. Você vai deixá-la descansar por no mínimo uma semana. Vai por mim. Do contrário, você não estará em sua melhor forma quando começar o processo de edição. Stephen King tem uma frase engraçada (e assustadoramente real) sobre isso em seu livro “On writing (Sobre a escrita)”: “Seus pensamentos vão se voltar para ele com frequência, e é bem provável que dezenas de vezes você se sinta tentado a tirá-lo dali só para reler algum trecho que pareça particularmente bom em sua memória, ao qual você quer voltar só para sentir de novo que você é um ótimo escritor.” Boa, King. O engraçado é que essa frase me lembrou uma parecida de Hemingway em um de seus contos autobiográficos disfarçados de ficcionais  (ou vice-versa): “Cheguei mesmo a ler em voz alta uma parte do romance que escrevera de novo, o que é quase o nível mais baixo a que um escritor pode descer, e muito mais perigoso para ele como escritor do que esquiar sem corda numa geleira.”



Ou seja, a hora de deixar o texto descansar é hora de deixá-lo descansar mesmo. Nada de ficar toda hora namorando um trecho ou outro.


12)    Depois que você descansou seu texto por algumas semanas, é hora de relê-lo e trazê-lo de volta à realidade. Talvez sua escrita esteja fraca, chula, diálogos ruins, personagens pouco críveis, situações inverossímeis, perdendo para todo e qualquer livro que você já tenha lido em sua vida. É extremamente comum. Você não é um fracasso. Acontece que todo livro é editado e reeditado antes de ser publicado e o seu ainda não foi. O que você fez antes foi só uma correção que não chega a ser uma edição. Você só vai começar a fazer isso agora. E vai começar pelo básico. Corrigindo os erros que passaram batido. Ninguém é perfeito, mas tente errar o menos possível.  Isso conta muitos pontos na hora de mostrar seu texto para alguém. Depois disso, é bom dar uma olhada no que você fez até agora com seus diálogos, descrições e personagens.


13)   Para a construção de seus personagens é importante que você saiba tudo sobre a vida deles.  Syd Field aconselha, em seu “Manual do roteiro”, a fazer uma biografia de cada um deles separado, para você conhecê-los melhor. Acho que essa dica é bem válida e não se aplica somente a roteiros cinematográficos. Você tem que conhecer seus personagens melhor do que ninguém. Antes de entregá-los ao mundo, eles precisam ser seus melhores amigos (ou piores inimigos). 

Entre na mente deles, faça o que eles façam, beba o que eles bebam. Só não saia "pegando geral" se ele for um conquistador (ou saia, né?) e nem vá matar geral se ele for um serial killer (ou mate, e depois a quietude da cela da prisão pode servir de inspiração para o romance do século!) Just kidding, isso foi uma brincadeira. C’est une blague. Uma broma! Ok?  

É importante deixar algumas coisas para o leitor imaginar, mas também é interessante descrever coisas básicas como cor do olho, dos cabelos, tipo físico, entre outros. O leitor sempre quer saber. Você pode aprofundar mais também: formato do rosto, cicatrizes, como são as unhas, pele, e o que mais quiser. Todavia, você vai retratar não só as características físicas, mas também detalhar que tipo de pessoa seu personagem é, o que ele faz, quais são suas manias, suas motivações, seus objetivos, como ele reage em determinadas situações e quais são suas características psicológicas. Não é só escrever em uma linha que ele é chato, preguiçoso e barraqueiro, mas mostrar essas coisas acontecendo, sem ter que, necessariamente, dizer que ele é assim. Isso entra um pouco na questão do “show, don’t tell” (não conte, mostre).  

Fitzgerald não precisou dizer que Gatsby era misterioso para seus leitores chegarem a essa conclusão. O fato de ele ser um milionário cuja origem do dinheiro era desconhecida e motivo de fofoca nas rodas sociais demonstrava isso. Sempre que seu nome era mencionado, era cercado de especulações: “acho que ele foi espião na guerra”, “parece que matou um homem”, “ele diz ter estudado em Oxford, mas acho que é mentira”. Ele dar grandes festas e quase não aparecer nelas, fazendo com que o convidado que tivesse o mínimo de contato com ele se sentisse especial, também ajudava a caracterizá-lo como um homem de mistérios, sem que o autor necessitasse escrever “Gatsby era um homem misterioso.”



14)  Segundo Stephen King, a descrição é uma habilidade que se aprende: “não é uma questão de como fazer, mas também de quanto fazer. A leitura vai te ajudar a saber quanto, e só resmas e resmas de escrita vão ajudar com o como. Você só vai aprender fazendo."  Mas cuidado, descrição demais às vezes pode deixar sua história cansativa e devagar.  

É interessante fazer um arquivo separado com todas as locações da sua história. E lá você descreve todos os detalhes de todos os lugares que vão figurar em seu texto: restaurante, casa de alguém, quarto, praça, centro da cidade, escola... mesmo que você não use toda essa informação em sua história, é para sua pesquisa posterior. Para você já ter em mente o que está descrevendo. Você não deve usar falas como: “a reação de Fulano ao abrir aquele embrulho era indescritível”, “Fulano não soube nem descrever o que vira naquele celeiro”, ou pior ainda “ele estava louco feito não sei o quê”. Feito não sei o quê?  Como autor você tem que saber descrever o que quer que seja. A não ser que dizer que não sabe seja parte da história (um escritor com bloqueio explicando para seu cachorro porque não sai do lugar com seu romance, por exemplo). E não use metáfora batida para ajudar na descrição, ela só vai estragar. Crie uma metáfora nova que exprima o que você quer dizer. É muito mais interessante para o leitor  e também seu papel como autor. Ser criativo faz parte desse trabalho.


15)   Algumas pessoas escrevem diálogos vívidos e fascinantes, mas têm problemas com a parte da descrição. Outros fazem render a história com páginas e páginas de descrições, mas costumam empacar nos diálogos. Como escritor, encontre um equilíbrio entre os dois tópicos. Lovecraft se considerava (e outros escritores também o consideravam) excelente para descrições e péssimo com diálogos. Por isso ele escrevia poucos e focava mais nas descrições.  No meu caso, os diálogos fluem  bem mais que as descrições.

Você já deve ter experimentado a sensação de querer encaixar uma informação a mais em um diálogo e ela não caber, pois onde quer que você tente colocar, estraga a fluência da conversa e você acaba deixando a tal fala de lado. É um bom sinal chegar nesse estágio. A menos que a informação nova seja muito importante e aí você precisa reestruturar o diálogo inteiro... Mas deixe para pensar nisso quando for realmente o caso. O mais importante em relação ao diálogo é que ele tem que ser crível e corresponder com a mentalidade, idade e realidade do personagem. Você não pode se podar quando a isso. Se o personagem é um bronco, machista, intolerante, entre outros, você tem que falar como um. Não é você ali, é o personagem. Você tem que ter isso em mente e encarná-lo durante a escrita.


16)   Você tem que ter sua voz de escritor. Mesmo que você ame George R.R. Martin e sonhe em escrever como ele, não copie o estilo dele. O mundo já tem um George RR Martin, mas ainda não tem você. Não pense que ao mesclar o estilo de J.K. Rowling, Tolkien, e todos os seus escritores favoritos, isso vai te fazer escrever uma super obra de arte que vai ficar muito melhor do que as obras deles, pois isso não vai acontecer. Você só vai fazer um monstro do Frankenstein (e não tão bom quanto o de Mary Shelley...). Encontre o seu próprio estilo. Não copie nada. Você deve ter um jeito peculiar de ser, de se expressar na vida real. Também deve ter um jeito particular de escrever, mas se você não pratica muito, talvez não o tenha descoberto ainda. Leia outros autores para se inspirar e não copiar. Observe que cada um tem um estilo próprio (bom, pelo menos a maioria). Leia também a biografia deles. Parece que você usufrui melhor da leitura quando conhece o background daquele escritor.


17)   Independente do assunto que você irá abordar em seus escritos, você deve fazer bastante pesquisa. Mesmo que você já se julgue PhD em tal matéria, em algum momento será necessário saber um pouco mais. Você tem que sempre imaginar que um de seus leitores será expert no assunto que você abordará em sua obra. Você precisa saber, ao menos, tanto quanto ele.   

Por exemplo, eu não surfo. Mas pesquisei tanto sobre o assunto para escrever meu livro “Cowabunga! Desventuras de um ex-surfista” que as pessoas acham que eu sou quase a versão feminina do Kelly Slater. Na teoria, eu devo ser uma surfista profissional, mas na prática... Infelizmente, eu sequer moro em cidade praieira . Fico meses sem pisar em uma. (mas quem sabe um dia... )



No livro “Solidão na corda bamba" que divido a autoria com minha irmã Maria Anália Seixlack, em dado momento da criação, decidimos que seria legal se nossa personagem principal tocasse algum instrumento e violino foi o escolhido. Nós nunca nem seguramos um violino nas mãos, mas para ser  uma narrativa crível precisávamos entender um pouco sobre o assunto. Essa parte ficou para a sister. Ela pesquisou, conversou com violinistas e escreveu as partes relativas ao instrumento. Na teoria, ela é uma grande violinista agora, mas na prática, nunca encostou em um. Enquanto ela fazia tais pesquisas de campo, com as quais não precisei me preocupar, pude me ocupar com outros assuntos do livro, mas quando se escreve sozinho, você não tem como dividir responsabilidades. Não tem muito por onde fugir. 



Claro, às vezes você pode contar com a ajuda de alguém. Eu li em algum lugar que Toni Bellotto “contratou” sua filha para fazer pesquisas para ele sobre algum assunto histórico (não me recordo qual) que ele retrataria em um de seus livros. Isso é válido, mas, de qualquer forma, você precisa colocar a mão na massa também.  E a pesquisa costuma ser uma das melhores partes do processo.


18)   Nunca se censure por causa de seus leitores imaginários: pai, mãe, amigo, namorado(a), inimigo, colega de escola, professor, crush... Sabe quando você pensa numa cena muito legal, porém um tanto chocante e desiste dela porque imagina a reação de certos conhecidos lendo? Não faça isso! Não é bom que tudo que você escreva gire em torno de um alvo especifico. “Essa cena não tá boa o bastante para Fulano(a). Ele(a) não vai gostar. Ele(a) vai me achar idiota. Se eu escrever essa cena de sexo, ele vai pensar que eu sou puta igual minha personagem, e que se eu pensei nisso, é porque eu quero (e faço) isso.  E se um dia o George Clooney ler meu livro e pensar ‘nossa, que autora ridícula’?” e assim vai. Não dá para escrever desse jeito, né?


19)   Imprima sua história depois de “pronta”. Sugiro que mude a fonte e também o tamanho, para que fique diferente do que você já está acostumado a ver no computador. Desse jeito, você pode se atentar para detalhes que poderiam passar batidos.  Leia com calma e faça anotações - em um local separado - do que pode ser mudado, acrescentado e eliminado. Faça aos poucos. Um capítulo por vez – ou menos, se seus capítulos forem muito longos. Se tentar fazer de uma vez você vai se cansar e os últimos capítulos ficarão muito malfeitos quando comparados aos primeiros.


20)   É salutar que você tenha alguns amigos (leitores-beta) para avaliarem seu trabalho. Uns dois ou três. (Eu nunca tive, mas já ouvi relatos do quanto isso pode ajudar). Deixe que eles leiam e encontrem furos em sua história, façam críticas e considerações válidas para que você possa arrumar enquanto é tempo. Quando eles expuserem suas sugestões, não responda na hora.  Diga que você vai analisar com calma o que eles falaram - principalmente se você bater o olho em uma crítica que não gostou e não concorda e se sentir tentado a defender na hora o porquê de você ter feito daquele jeito.

O objetivo dessa etapa é você descobrir o que as pessoas acham de seu trabalho e não convencê-los de que eles estão errados e você está certo. Esses leitores-beta são os representantes de seus futuros leitores. Se de repente eles não entenderam a sua “grande sacada”, talvez seja o caso você reestruturá-la de modo que as pessoas entendam com mais facilidade.





E isso é tudo. Sei que ficou longo, mas se você quer ser escritor, não pode ter preguiça de ler 20 dicas para te ajudar a melhorar, não é? Hehehhe! Sei que eu não sou a voz da razão e eu mesma não sigo metade desses conselhos, mas são dicas que eu elaborei com base até mesmo nas minhas falhas e no que poderia ser feito para melhorá-las. Espero que vocês gostem!