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1) Como foi seu início de carreira?

Assim que eu e minha irmã aprendemos a ler e escrever, na pré-escola, nós começamos a - ler e escrever. Heheh! Nós duas sempre escrevíamos e ilustrávamos nossos próprios livrinhos e foi assim durante vários anos e eu acredito que esse deve ter sido o começo da minha "carreira". Aos 12 anos, publiquei de forma independente o meu primeiro livro que se chamava Os cabeludos do jukebox. Na adolescência, eu fui me aventurar no mundo dos roteiros cinematográficos e deixei essa história de escrever livros de lado. Só retomei à escrita de livros quando já estava na faculdade, escrevendo poesias e contos. Publiquei três livros com uma editora independente (Don't back down from that wave;, A chuva, o parque, as flores e outras coisas, e The next sunset.) Escrevi um livro com minha irmã chamado Solidão na corda bamba pela Multifoco e, por fim, fui convidada a publicar Cowabunga! Desventuras de um ex-surfista pela Benvirá/Saraiva depois de ter participado e sido finalista  de um concurso literário deles. 


2) Qual a sua fonte de inspiração?

Fora os autores que eu leio, filmes interessantes que eu vejo, música e minha própria caixola. 


3) Como é o seu processo de escrever?

Primeiramente, eu gosto de pensar em algo que seja original e que valha a pena ser escrito. Sempre fugi do senso comum. Mas eu não sigo uma rotina fixa de horários. Elas não dão muito certo para mim. Se você estipula que vai escrever todos os dias das oito às dez, por exemplo, esse é o horário que você menos tem inspiração. Geralmente, e acho que muita gente concorda, a hora que você mais está inspirado é a hora que você menos pode escrever. É quando você está na aula, no trabalho, em algum lugar sem papel ou caneta e você começa a rabiscar em qualquer coisa para não deixar sua ideia genial fugir. E você pensa que assim que chegar em casa, você vai terminá-la. Mas até chegar em casa, você já perdeu o entusiasmo. Assim, eu escrevo nas horas que estou livre, mas sem pensar muito que eu tenho que terminar um capítulo naquele dia ou que, a partir disso, esse será meu horário oficial todos os dias.


4) Você  é formada em quê?

Em Letras Português/Inglês pela Unioeste, Cascavel-Pr. Turma (2006-2009). 


5) Qual foi o primeiro livro que você leu?

Não lembro se foi o primeiro, mas um dos meus preferidos, na pré-escola era "A casa sonolenta". Sei de cor até hoje: "Era uma casa sonolenta, onde todos viviam dormindo. Nessa casa tinha uma cama. Uma cama aconchegante, numa casa sonolenta, onde todos viviam dormindo. Nessa cama tinha uma avó. Uma avó roncando, numa cama aconchegante, numa casa sonolenta..." Hahaha


6) Quem são seus autores favoritos?

Além da Audrey Wood, autora de A casa sonolenta? Gosto do Ernest Hemingway, Mark Twain, Scott Fitzgerald, Tobias Wolf, Bob Greene, Stephen King, Peter Straub, Norman Mailer, Frank De Felitta, Ira Levin, John Green, Edgar Allan Poe, Oscar Wilde,  Machado de Assis, Moacyr Scliar, Lygia Fagundes Telles e taaantos outros...Gosto até de mim como autora. Hahahaha.


7) Que tipo de música você curte?

Principalmente, mas não somente,  música dos anos 60. As bandas e cantores americanos, a invasão britânica, os cantores franceses, italianos, espanhóis... Essa década foi a campeã em grandes letras e melodias. Tudo nessa época era mais inspirador e me fascina de um jeito inexplicável. Só consigo imaginar que eu já vivi uma charmed and crazy life nesse período em uma vida passada que durou pouco, já que eu nasci nos anos 80... Devo ter sido bem loucona e morri cedo. #JimiHendrixStyle. Hahahha.


8) Você é solteira?

Mentira, isso não é uma pergunta frequente. Ninguém nunca me pergunta isso. Hahahaha


9) Você surfa?

Não! Mas meu alter ego surfa que é uma beleza...


10) Você acha que o brasileiro está lendo mais?

Não sei se mais do que lia há dez, vinte anos, mas agora é mais fácil de se comprovar que eles estão lendo. Além de hoje ser muito mais fácil o acesso e inclusive as pessoas terem a facilidade de carregar uma biblioteca inteira dentro do tablet, muitas pessoas têm blog, Skoob, sempre posta o que está lendo e escrevendo online e conhece pela internet pessoas com os mesmos interesses. Há uma maior interação. Antigamente, as pessoas liam, mas guardavam essa informação para elas. Afinal, não existia a possibilidade de compartilhar a foto da última leitura no Instagram. 


11) Por que você publicou livros em inglês e como  aprendeu o idioma?

Eu sempre gostei de escrever tanto em inglês quanto em português. Certos textos e poemas eu acho que ficam melhor em português e outros em inglês. 
 Quanto a saber o idioma, acho que é uma coisa natural. Eu treino sozinha desde os onze, doze anos. Sempre traduzi muita música nessa época. Especialmente do velho Dylan. Em casa, a gente costumava esconder as legendas com uma faixa de cartolina preta colada na TV (de tubo) para assistir a filmes ou séries. Sempre tive pen pals americanos etc. E passei alguns meses estudando na Califórnia quando eu ainda estava na faculdade. Quando eu fui para lá, eu já falava inglês, mas aprendi muitas gírias e tantas outras coisas que eu não fazia nem ideia. E o aprendizado de um idioma é constante. Não sei tudo, nunca saberei e estou sempre descobrindo novas expressões e vocabulários. E faço o mesmo processo com francês e espanhol agora. Adoro línguas. 



12)   Em quem você se espelhou para construir Zimbo?

Em ninguém que eu conheça. Eu o inventei do zero. Queria que o meu personagem fosse um homem e que ele tivesse vivido nos anos 60. Mas eu particularmente não conheço ninguém como o Zimbo, que surfa, tenha sessenta e tantos anos e seja assim incrivelmente belo e absurdamente marrento... 



13) Gostaria que virasse filme? Alguma ideia de quem poderia interpretar os personagens?

Claro!  No entanto, não faço ideia de quem combinaria com o Zimbo (ou com os outros personagens).  Mas deve ter alguém escondido por aí que nasceu para fazer esse papel. 
Apesar de ter que ser um ator brasileiro, o que mais se enquadra no papel, na minha opinião, é o americaníssimo (e gatíssimo) Robert Redford. 


14) Você também faz curtas e roteiros. Como é isso?

Sim e não! Na verdade, é tudo um passatempo. Não é a sério. Tudo começou quando eu tinha uns 14 anos e do nada decidi que queria ser roteirista de cinema. Chamei minha colega "Gunser" para escrever comigo. Assim, brincávamos de gravar curtas muito zoados e escrevemos dois roteiros de longa-metragem juntas. Na época, a gente tinha a ilusão de vendê-los para Hollywood. (Adolescentes...) A gente escrevia em inglês, no estilo enlatado americano mesmo. Começamo um terceiro roteiro que seria em português para tentar vender para o Brasil primeiro, mas nunca terminamos de escrevê-lo, porque fomos para a faculdade e a vida em geral terminou com a nossa parceria.
Nos anos seguintes, participei de oficinas de roteiro e de projetos de amigos meus da cidade. Escrevi outros roteiros, mas nunca soube o que fazer com eles.


15) Alguma dica para quem está querendo escrever livros?

Além de "escreva"? Acho que meu amigo Hemingway tem a frase perfeita para essa ocasião: "escreva bêbado, edite sóbrio". Em outras palavras,  escreva de uma vez o que quiser, sem parar para pensar ou podar a própria escrita. E na hora de revisar, aí sim, preste atenção em cada palavra. Você tem que estar pronto para justificar a escolha de cada uma delas, se for preciso.