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22 de jul. de 2016

Tag meio idiota, pois consiste em citar três escritores que já encontrei, sendo que só conheci dois. O terceiro vai ser por meio de sonho ou algo do tipo.  Daremos um jeito até o fim do post.


1)


O ano era 1999 e o escritor Álvaro Cardoso Gomes foi visitar a nossa escola e dar uma palestra para a nossa sétima série e ninguém cogitou registrar o momento. Por isso não tenho foto para postar agora  :(

Naquela época, ninguém tinha (ou sonhava ter) celular e tampouco uma máquina fotográfica particular. Assim, só era normal levar câmera para o colégio no último dia de aula. E esse não era o último. É até engraçado pensar que hoje seria inadmissível não bombardear alguém tão importante com uma chuva de selfie.  

A professora mandou levar livros dele para autografar. Ela foi bem enfática dizendo que ele só autografaria livros e nada mais (palavras dela e não dele). Isso não deveria ser um problema.  Ele era nosso autor parça desde a quinta-série e todo mundo tinha ao menos o “Amor e cuba-libre” que era uma de nossas leituras obrigatórias daquele ano e todo mundo teve que comprar um exemplar.

Não deveria ser um problema, mas foi. Eu esqueci o meu em casa e não fui a única. Outra criaturinha levou um Pedro Bandeira  (mais uma leitura obrigatória daquele ano) achando que era tudo a mesma coisa.

Beatriz, nossa garota exemplar, não levou só um livro, levou uns dez. Quase a coleção completa da obra de Álvaro Cardoso Gomes: A hora do amor, A hora da luta, O diário de Lúcia Helena... E ainda estava triste porque esqueceu um em casa. No auge de seu desapontamento, ela se vira e fala para a pessoa que não levou nada e corria risco de ser rechaçada da fila que estava triste porque tinha onze livros e só trouxe dez. Mas tudo bem, eu entedia a frustração. 

Após Beatriz impressionar o autor com sua inteligência e sua coleção de livros, levei minha humilde agenda do colégio para ele autografar. Enquanto esperava minha vez, fui escrevendo uns recadinhos fofos para ele.  Não podia ser tão ruim, tinha gente que levava só folha de caderno solta e ele estava assinando mesmo assim.

Pedi desculpas por ter esquecido o livro em casa e ele, sempre fofo, falou que não se importava, pois minha agenda com os recadinhos era mais interessante.  Eu continuei: “pelo menos não é um guardanapo”, e ele disse que também não teria problema se fosse, pois já assinou muitos.  E então eu mandei “Se eu tivesse um guardanapo com um autógrafo seu, eu guardaria para sempre.” Ele já estava começando a fazer cara de “oww” quando a tonta aqui continuou: “a não ser que eu tivesse num lugar bem deserto, sem nada por perto e meu nariz começasse a escorrer e eu não tivesse nem de manga longa. (Porca!!) Daí eu seria obrigada a limpar o nariz no guardanapo autografado mesmo.”

Ele deu uma risadinha com cara de “WTF?”, mas concordou que essa seria a melhor solução. Pensando bem, eu deveria ter autografado um guardanapo mesmo.  A probabilidade de perdê-lo no deserto durante uma hemorragia de meleca era bem mais remota do que perder a agenda do colégio, uma vez que todo fim de ano minha mãe a jogava no lixo sem nem pensar em ver se tinha algo  de dentro dela.




2)

Dez anos depois de encontrar Álvaro, foi a vez do Mo.

Meu primeiro contato com a obra de Moacyr Scliar foi durante o pré-vestibular. Naquele ano, era preciso ler o livro Os cem melhores contos do século. Muita gente trapaceou - a pedido do professor de literatura mesmo - e leu só os mais prováveis de serem cobrados no vestibular, contudo, eu li todos os cem. Não foi um sacrifício para mim, já que eu adoro contos. E o do Moacyr foi um dos quem mais me chamou atenção.

Seu conto se chamava "A balada do falso messias" e tinha um judeu que se chamava Shabtai Zvi. E eu adorei, porque eu gosto de ler sobre judeus e sabia que o nome hebraico do Bob Dylan é Shabtai Zisel (coisa que só os fanáticos sabem... heheh) e daí eu pirei por ser um nome parecido. Este conto foi um gancho para eu querer saber mais sobre o Moacyr e acabei virando fã de seus livros.

Anos depois do pré-vestibular, já cursando o  último ano da faculdade de letras, eis que Moacyr Scliar é escalado para dar uma palestra em um evento literário da nossa universidade.

Todo mundo estava normal, mas eu tinha a mesma empolgação de quem ia conhecer uma grande celebridade internacional. Ele era muito simpático e depois de falar muito sobre tudo,  abriu espaço para o público fazer perguntas, mas o highlight foi quando alguém perguntou o que ele achava do Paulo Coelho como autor.

Diplomático, não disse nem que gostava e nem que desgostava, apenas foi citando características da escrita do autor e no final terminou com um "...e é por isso que ele tem essa escrita assim... tosca!" e todo o auditório explodiu em risadas. Desesperado, ele se apressou em corrigir "gente, eu quis dizer "tosco" de "rústico" e não de 'ai, como ele é tosco", mas já era tarde demais. A gente até tinha entendido de primeira, mas foi tão engraçado que era inevitável não rir. E ele todo vovozinho fofinho pedindo para não ser mal-interpretado.

No fim, tivemos o privilégio de tirar uma foto com ele.
Infelizmente, ele morreu dois anos depois... RIP, Mo.




3)

Bom, eu também conheci um trio promissor de jovens autores: Oscar Wilde, Charles Dickens e William Shakespeare, mas eles estavam um tanto "encerados" naquele dia.

Conversamos sobre a verdade do universo e a prestação que vai vencer. Bill tirou uma foto minha com Oscarito e Charlie, mas ficou um tanto confuso quando me viu usar o pau de selfie para bater a nossa.





Farewell, my friends!!